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O futebol como megaevento

Prof. Nei Jorge dos Santos Junior
Mestrando em História Comparada (UFRJ/IFCS)
Sport:Laboratório de História do Esporte e do Lazer(UFRJ)

De acordo com o censo realizado pela FIFA em 2000[1], o futebol é apontado como o esporte mais praticado no mundo. Cerca de 250 milhões de pessoas, ou 4,1% da população mundial, são participantes do jogo de futebol de alguma maneira. Nessa mesma pesquisa, identifica que no Brasil, cerca de 170 milhões de pessoas, sem contar as crianças e os praticantes ocasionais participam desse jogo.

Para entender esse crescimento, é preciso reconhecer que o futebol se constitui de um campo de concorrência no interior, onde antes restritos a praticantes e aos espectadores presenciais, alcançaram as massas quando esses eventos, através dos meios de comunicação de massa, se transformaram num produto midiático. Esse cenário presente representa a passagem de um esporte praticado em círculos sociais restritos; otimizado pela máxima do amadorismo, para um esporte espetacularizado, com produção profissional especifica e destinado ao consumo de massa (BOURDIEU, 1983).

Corroborando com o processo entrevisto por Bourdieu há quase trinta anos, Alvito (2006) chama a atenção para a existência de um campo esportivo planetário diante de novas instituições e agentes articulados ao crescimento de canais mundiais especializados em esportes, ao grande consumo de produtos esportivos produzidos pelas multinacionais e às novas formas de consumo do espetáculo proporcionado pela internet e telefones celulares.

Esse leque de variedades para a venda e comercialização do futebol, está ligado diretamente aos mecanismos de linguagem que facilitam sua comercialização e aceitação mundializada. A facilidade de inteligir esse espetáculo proporciona ao futebol diversas formas de comercialização dos seus produtos: TV, telefone celular, videogames dos mais variados tipos, revistas especializadas, canais próprios de futebol, sites com conteúdos exclusivos, álbum de figurinhas e simuladores para administração de clubes[2].  

 

 O futebol como espetáculo é uma construção social que envolve diferentes atores sociais – atletas, dirigentes, jornalistas, patrocinadores, torcedores, autoridades públicas – em ação no campo esportivo. Nesse sentido, Bourdieu (1997) aponta que os meios de comunicação de massa ocupam um espaço de suma importância por tornar o espetáculo esportivo num produto fora do comum, proporcionando uma correria para associação de produtos dos mais variados ramos a ocupar um espaço de destaque no maior patrimônio de marketing esportivo mundial: as camisas dos clubes de futebol.  

Um levantamento feito pelo Estado de Minas no Campeonato brasileiro de 2007 releva que apenas doze, das principais equipes localizadas São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, foi feito um investimento de 143,75 milhões[3] para divulgar os nomes das empresas nos uniformes das equipes.

Mesmo com investimentos tão altos o retorno para essas empresas tem garantia. Estima-se que pode ser no mínimo seis vezes o valor aplicado. A marca ganha visibilidade e fica guardada na memória de milhões de brasileiros, que se tornam também potenciais consumidores de seus produtos. (Estado de Minas, 27/05/2007)

Nesse sentido, Debord (2006, p. 39) afirma que, “a raiz do espetáculo está no terreno da economia que se tornou abundante, e daí vêm os frutos que tendem afinal a dominar o mercado espetacular”,  onde o espetáculo proporcionado dentro das quatros linhas ganha abrangência pelas grandes jogadas de marketing, cercado pela publicidade e não mais por aquele que promoveu as jogadas, onde esse, ganha status de celebridade, transformado, enfim, em uma grande produção hollywoodiana.

 Referências

ALVITO, M. A parte que te cabe neste latifúndio: o futebol brasileiro e globalização. Análise Social, v.41, n. 179, p.451-474, 2006.

BOURDIEU, P. Como é  possível ser esportivo. In: ________. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Traduzido por: Estela dos Santos Abreu. 7. impressão. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.

MENDES, Karla. Marcas em campo. Estado de Minas, Minas Gerais, p.6. 27 Mai. 2007.


[1]  Dados retirados do site oficial da FIFA referente ao censo realizado pela entidade em 2000.

[2] Como exemplo pode ser citado o Cartola FC fantasy game disponível no site globo.com. O usuário funda uma liga onde se ganha ou perde pontos de acordo com o desempenho real dos atletas nos jogos. As atuações em campo são medidas através das estatísticas oficiais da TV globo.

[3] Como os valores de alguns patrocinadores não foram revelados, estima-se que esse valor pode chegar a R$ 200 milhões.

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1 Response to “O futebol como megaevento”


  1. 1 Naiara ☆ Meira
    14/01/2011 às 02:23

    gostei do texto..esse a maioria vai ler e gostar..como vc disse no texto!!


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