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CULTURA MIDIÁTICA E ESCOLA: UMA BREVE REFLEXÃO

Prof. Nei Jorge dos Santos Junior
Mestrando em História Comparada (UFRJ)

 Artigo completo publicado: http://www.efdeportes.com/efd116/cultura-midiatica-na-educacao-fisica-escolar.htm

       Ao final da década de 1960, firmou-se uma literatura Latino-americana que denunciava o imperialismo norte americano por meio do julgamento passivo na recepção do sujeito diante os meios de comunicação de massa.  Entrementes, nas ciências sociais buscavam-se explicações sobre o efeito sócio-político e econômico na industrialização dos países subdesenvolvidos, criando na década de 1970, uma versão no campo da comunicação, que geraria a teoria da dependência cultural, por ganhar espaço e visibilidade no contexto internacional pela capacidade de reflexão a partir da própria realidade (JACKS; ESCOSTEGUY, 2005).

       Contudo, essa produção teórica sofre diversas críticas aos meados da década de 1980, por não oferecer fundamentação fidedigna diante das transformações ocorrente na sociedade. A partir daí transformações tanto no campo interno como no campo externo contribuem para reformulação de novas teorias, auxiliada pela relação incessante por parte das dinâmicas culturais e os embates gerados pela globalização numa coesão entre comunicação e cultura, resultante da valorização das experiências do sujeito.

       De acordo com Jacks e Escosteguy (2005, p. 53) “articula-se a ela um movimento teórico crítico que expressava a passagem de um marxismo determinista para um marxismo gramsciano”, pela abertura de um viés que até então, era dominado por análises funcionalistas, semióticas e frankfurtianas.

      Nessa breve reflexão sobre o contexto de transformações no âmbito dos estudos sobre recepção, encontra-se a idéia vinculada ao pensamento Gramsciano de “hegemonia negociada” no qual, Martín-Barbero afirma que é preciso reconhecer:

 

que os meios de comunicação de massa constituem hoje espaços-chave de condensação e  intersecção de múltiplas redes de poder e de produção cultural, mas também alertar, ao mesmo tempo, contra o  pensamento único que legitima a idéia que a tecnologia é hoje o “grande mediador” entre as pessoas e o mundo, quando o que a tecnologia medeia hoje, de modo mais intenso e acelerado, é a transformação da sociedade em mercado, e deste em principal agenciador da mundialização . (2006, p. 20).

 

       Nesse sentido, visões pessimistas descrevem os meios de comunicação de massa como imposições a um novo imaginário cultural. Na crença que esses meios fornecem apenas indícios vivenciados através de emoções interpostas, que logo se perdem por uma configuração restrita, obstruído pela formação de indivíduos autônomos incapazes de refletir conscientemente sobre suas escolhas, numa contemplação passiva por estabelecer valores ideológicos e culturais para posição dos jovens como consumidor.

       Numa posição antagônica, percebe-se a necessidade de um olhar crítico diante os conteúdos midiáticos, aplicado ao grande potencial de abstração que a mídia fornece aos jovens, com objetivo de equilibrar e agregar o posicionamento crítico como instrumento de trabalho para o cotidiano escolar, educando para mídia com a mídia.

 

A tecnologia abriu uma porta para que as pessoas possam esta em contato permanente uma com as outras e para que tenham acesso ininterrupto à informação. Ainda é cedo para conhecer os efeitos a longo prazo da cultura da comunicação. O modelo é espetacular e seus benefícios para difusão do conhecimento são evidentes. Em contrapartida a conexão permanente parece esta reduzindo o tempo disponível para simplesmente sentar e pensar. […] Mas seria realista tentar se desconectar num mundo em que tudo que é interessante parece estar ocorrendo on-line? (CHAVES; LUZ p.16, 2007).

 

      Belloni (2001) destaca que o entrave entre o conceito de educação para as mídias está distante de atingir o senso comum entre os especialistas. Para a autora tais definições explicam-se pela necessidade de integração, não somente no campo pedagógico, mas, sobretudo como um novo objeto de estudo. Tornando-se necessária a integração aos processos educativos o uso das novas tecnologias de informação e comunicação.

      Todavia, a autora compreende que seria ingênuo pensar que a mídia se adaptaria aos objetivos da escola, porém ilusório pensar que as famílias teriam condições de conscientizar para leitura crítica sobre os conteúdos oferecidos pela mídia. Portanto, cabe à  escola difundir constantes discussões sobre tal realidade, levando o aluno  a compreender o sentido explícito e implícito das informações numa reflexão crítica sobre os conteúdos midiáticos.

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